Que medo é esse?


É muito louco essa coisa de ser mulher, de viver mulher. De viver em um mundo que não gosta de mulher.
Um mundo que tem medo, pânico, raiva de mulher. Um mundo que idealiza,  projeta e exige da mulher. Um mundo que se apropria de vidas, corpos, úteros. Um mundo o qual ao mesmo tempo exige a santa e exige a puta.

Um mundo que veio da mulher.

Mundo ocidental em sua maioria o qual me refiro.
Mundo que quer uma mulher segura, bem decidida, produtiva, que cuida, que está pro outro mais do que para si.
Acredito que a melhor bem resolvida de nós já questionou essa apropriação, é tão intrínseco que às vezes é difícil me fazer entender. Até eu comigo mesma.
Que medo é esse, que pânico é esse?
Nós só queremos ser, ser em nossa totalidade, sem podas, sem pudor, sem se preocupar se tudo perfeito, se o corpo está em ordem, o cabelo, a pele, a estria, os pêlos, celulites, unhas e sobrancelha. Sem se preocupar com a delicadeza, grosseria, sensualidade e timidez. Sem se preocupar em encontrar emprego com criança em casa pra cuidar, em estudar mais, em provar mais pro mundo. Sem se preocupar em usar a roupa, beijar e transar com quem nós decidimos. E com a quantidade que queremos.
Só queremos viver nossa totalidade sem essa sensação consciente e inconsciente  de ter um chefe que comanda sua voda, de que tem sempre alguém na espreita pra te jogar palavras, olhares, pra te bater. Pra dizer não à divindade que habita em cada uma de nós.
Só queremos viver.

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